
Bandeirante, fazendeiro e devoto, Manoel Teixeira Sobreira recebeu uma sesmaria em 1750 e ergueu a capela que deu origem à cidade. Antes dele, aqui era só mato e silêncio
Corpo do texto (texto limpo, é só selecionar e copiar): No século XVII, o que hoje é Bonfim era território de índios Cataguases. Mato fechado, água em abundância, silêncio. Não havia capela, não havia praça, não havia ninguém. Até que, em 1674, passou por aqui a bandeira de Fernão Dias, na chamada Aura Sacra Fames, a Sagrada Fome do Ouro. Fernão Dias não encontrou ouro nestas terras e seguiu adiante. Mas alguns dos seus homens olharam para o vale, viram a terra fértil, o clima ameno, a água farta, e decidiram ficar. Entre eles estava um nome que mudaria tudo: Manoel Teixeira Sobreira. A sesmaria Sobreira era fazendeiro e minerador. Não era um aventureiro de passagem, era homem de fixar raiz. Em 3 de janeiro de 1750, recebeu carta de sesmaria, o documento da Coroa portuguesa que concedia a posse legal das terras a quem se dispusesse a desbravá-las. Trouxe escravizados e colonos, abriu lavouras, criou animais, e começou a transformar o mato em fazenda. A região tinha uma vocação clara: enquanto o Quadrilátero Ferrífero arrancava ouro do chão, alguém precisava plantar a comida que alimentava os mineradores. Bonfim nasceu para essa função. Não era cidade do ouro, era cidade que sustentava o ouro. A capela Mas Sobreira não plantou só roça. Plantou fé. Logo depois de chegar, mandou vir de Portugal uma imagem do Senhor do Bonfim, a mesma devoção que havia chegado a Salvador cinco anos antes pela promessa do capitão Teodósio Rodrigues de Faria. E ergueu uma capela em sua honra, na Fazenda Palestina. Naquela época, capela não era só lugar de oração. Era o centro do mundo. A vida inteira girava ao redor dela: nascimento, batismo, casamento, festa, morte. Onde havia capela, havia povoado. Onde havia povoado, havia cidade. Foi exatamente isso que aconteceu em torno da capela de Sobreira. O nascimento da cidade Os moradores começaram a se agrupar ao redor do templo. Vieram outros colonos, outras famílias, outras lavouras. O lugar ganhou um nome informal: Rocinha. A história administrativa avançou rápido depois disso. Em 14 de julho de 1832, Rocinha foi elevada a distrito, com o nome de Bonfim de Paraopeba, ainda subordinado a outro município. Em 16 de março de 1839, virou vila. Em 24 de janeiro de 1842, foi oficialmente instalada. Por fim, em 7 de outubro de 1860, pela lei provincial nº 1094, foi elevada à categoria de cidade, com o nome que carrega até hoje: Bonfim. Pouco mais de cem anos depois da sesmaria de Sobreira, o que era mato virou município. O que ficou A Fazenda Palestina, onde tudo começou, é considerada a origem da devoção local ao Senhor Bom Jesus do Bonfim. O nome da cidade, o santuário, o calendário religioso, a Festa de Agosto, a procissão, o Carnaval a Cavalo que veio depois. Tudo brotou daquele primeiro chão arado e daquela primeira capela erguida. Bonfim é uma cidade que tem fundador com nome, sobrenome e data. Não é mito, é registro. E mais: tem fundador que entendeu uma coisa simples. Cidade não nasce de pedra, nasce de gente reunida em volta de um propósito. No caso de Bonfim, o propósito foi a fé. A pergunta que fica Quase trezentos anos depois, vale a pergunta: o que estamos plantando hoje, no chão que Sobreira entregou para nós? Cada geração herda uma cidade pronta e devolve uma cidade um pouco diferente. A nossa também vai entregar a próxima. A Fazenda Palestina foi o primeiro tijolo. Os próximos são nossos.
Fontes
Histórico de Bonfim. IBGE Cidades. Bonfim, Minas Gerais. Verbete da Wikipédia em português. História da cidade de Bonfim. Prefeituras.info. Bonfim, Minas Gerais. Portal Olhares por Minas. Acesso em maio de 2026. Cidade de Bonfim, tradição, cultura e história. Portal Conheça Minas. Bonfim, Circuito Veredas do Paraopeba.